“O próximo, por favor”


Quando o Dr. Alois Alzheimer terminou a apresentação do caso de sua primeira paciente, a audiência permaneceu em absoluto silêncio. Era dia 3 de novembro de 1906, e o congresso médico acontecia na pequena cidade de Tubingen, na Alemanha. A indiferença do moderador do evento foi ainda mais desastrosa que a reação dos seus pares, pois não esboçou nenhum esforço concreto para estimular qualquer pergunta. Àquela época, esse comportamento significava que ninguém ali presente atribuía a mínima importância àquele trabalho. Ao final de alguns segundos constrangedores, o moderador disse que não havia necessidade de discutir nada sobre aquela apresentação e convidou o próximo apresentador. Era a primeira vez que a doença estava sendo apresentada e, na contramão do seu entusiasmo pela descoberta, a reação dos pares do Dr. Alzheimer foi mais do que frustrante: uma humilhação pública.


Confirmando o diagnóstico


Diante da percepção de declínio de qualquer função cognitiva, é importante procurar ajuda o quanto antes. O diagnóstico precoce permite um melhor planejamento de toda a estratégia de cuidado. Diante da suspeita, o médico deverá realizar investigação detalhada, a começar pelo modo como os sintomas foram se instalando. Além do exame físico, outros exames serão necessários, como exames laboratoriais, exames de imagem cerebral e uma avaliação cognitiva. Diante da suspeita de doença de Alzheimer, pode-se estudar também os biomarcadores no líquor. A depender das hipóteses levantadas neste momento inicial, outros exames poderão ser necessários para o diagnóstico diferencial. A ideia aqui é identificar a causa do declínio e a intensidade do comprometimento cognitivo.



O declínio insidioso da memória para fatos recentes, com impacto progressivo nas atividades do dia-a-dia, pode ser um sinal precoce da doença de Alzheimer.


Primeiros Sintomas


Ao contrário do que se pensava no passado, a doença de Alzheimer evolui durante vários anos de maneira assintomática. Quando os primeiros sintomas começam a aparecer, as alterações já estão se instalando no cérebro há mais de uma década. Tipicamente, o quadro começa com lapsos de memória para fatos recentes que vão se tornando pouco a pouco mais frequentes, e causando impacto progressivamente maior nas atividades de rotina. De forma insidiosa, outras funções cognitivas começam a ser afetadas também, de modo que, além dos esquecimentos, os familiares começam a perceber distúrbios da linguagem (como não lembrar o nome de certos objetos), das funções executivas (como se atrapalhar com cálculos), das praxias (como trocar a ordem das peças de roupa ao se vestir) e da percepção (como se perder dentro de casa). Hoje sabemos também que, de forma atípica, os primeiros sintomas da doença de Alzheimer podem não estar relacionados à memória.


Iniciando o Tratamento


Confirmado o diagnóstico e definida a fase clínica, é hora de planejar o tratamento. Aqui é muito importante ressaltar que o tratamento da doença de Alzheimer não se restringe ao uso de medicações, mas envolve uma estratégia muito mais ampla e multidisciplinar, que abrange aspectos como estruturação da rotina, estimulação cognitiva, atividade física regular e suporte nutricional. Para o tratamento medicamentoso, estão atualmente aprovados três inibidores de colinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) e um antagonista do receptor de NMDA (memantina). Pode ser necessária também a introdução de medicamentos para ajudar no controle dos distúrbios de comportamento que podem surgir. Do mesmo modo que com os sintomas cognitivos, o manejo adequado dos sintomas comportamentais é tarefa multidisciplinar.


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Teleconsulta


Umas das frentes da telemedicina, a teleconsulta, como o próprio nome indica, é uma consulta médica em que o paciente encontra-se distante fisicamente do profissional de saúde.

Durante a pandemia do Covid-19, o Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu uma exceção, permitindo este tipo de atendimento. É uma alternativa para os que ainda não se sentem confortáveis em sair de casa.

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