“Como é o seu nome, menininha?”


A família da Sra. W estava apreensiva. Havia alguns dias, ela vinha apresentando comportamentos estranhos. Certa vez, enquanto descansava sentada em sua cama, ela repentinamente sorriu e disse: “Como é o seu nome, menininha?”. Outras vezes, chegou a pedir para alguém trazer “um lanche para as crianças”. Como na casa não havia crianças e ninguém estava vendo criança alguma, os parentes começaram a ficar preocupados. Quando contestada, a Sra. W era capaz de descrever em detalhes a aparência das crianças e as roupas que estavam usando. Mas achava estranho o fato delas não lhe responderem nada – nem com palavras nem com gestos – e de desaparecerem todas as vezes que se aproximava para tentar tocá-las.


Confirmando o diagnóstico


Por se tratar de uma doença com apresentação clínica heterogênea, o reconhecimento da doença de Lewy depende de uma história clínica detalhada e de um exame físico cuidadoso. Em caso de alguns dos sintomas descritos estarem presentes, um neurologista deverá ser consultado. Como para todas as doenças que resultam em declínio cognitivo, o diagnóstico precoce permite um melhor planejamento do cuidado. Além da história e do exame físico, outros exames poderão ser necessários, como exames laboratoriais, de neuroimagem e uma avaliação cognitiva. Como eventualmente os sintomas podem se assemelhar àqueles observados em outros quadros, pode ser necessário fazer o diagnóstico diferencial com outras condições, como a doença de Alzheimer.



As alucinações visuais, o declínio cognitivo e as alterações da motricidade são os sintomas mais comuns na doença de Lewy.


Primeiros Sintomas


A doença de Lewy é caracterizada por três sintomas principais: alucinações visuais bem formadas, declínio cognitivo e alterações da motricidade semelhantes à doença de Parkinson. Nem sempre os três sintomas estão presentes ao mesmo tempo. Além disso, eles também costumam ter curso flutuante, ou seja, há períodos em que são facilmente percebidos e períodos em que são leves ou até ausentes. As alucinações visuais, quando presentes, costumam chamar a atenção da família pelo fato de serem muito nítidas para o paciente, que habitualmente não as considera uma ameaça. O declínio cognitivo pode ser mais difícil de perceber. No início, pode se apresentar como períodos em que o paciente está com o pensamento lentificado ou se atrapalhando com tarefas simples. As alterações da motricidade mais comuns são os movimentos mais lentos, com a marcha em passos mais curtos e a postura um pouco fletida, mas sem tremor de mão.


Iniciando o Tratamento


Uma vez confirmado o diagnóstico, é hora de traçar o plano terapêutico junto à família. Concomitantemente à introdução de medicações específicas, a abordagem envolve intervenções não farmacológicas. Nesse sentido, o paciente se beneficia de uma abordagem multidisciplinar, com ganhos extensivos aos familiares e aos cuidadores. Talvez ainda mais importante que em outros quadros, a atividade física é um aspecto central e com grande impacto para a qualidade de vida dos pacientes com doença de Lewy, necessitando de orientação e acompanhamento profissional. O tratamento medicamentoso também precisa ser adequado às necessidades de cada paciente, sobretudo pelo fato das manifestações clínicas serem heterogêneas e flutuarem ao longo do tempo. De modo semelhante a outras doenças da cognição, os distúrbios de comportamento podem estar presentes, impondo desafios maiores ao tratamento.


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Teleconsulta


Umas das frentes da telemedicina, a teleconsulta, como o próprio nome indica, é uma consulta médica em que o paciente encontra-se distante fisicamente do profissional de saúde.

Durante a pandemia do Covid-19, o Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu uma exceção, permitindo este tipo de atendimento. É uma alternativa para os que ainda não se sentem confortáveis em sair de casa.

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